MORTE SÚBITA

Por Reginaldo Trindade

 

NÃO TENHA MEDO DA VIDA. TENHA MEDO DE NÃO VIVÊ-LA INTENSAMENTE. (Augusto Cury)

 

Sábado pela manhã. Dia como outro qualquer.

Ele estava jogando bola com os amigos, como, de vez em quando, podia se dar ao luxo.

Havia acabado de entrar para jogar, coisa de dois minutos no máximo.

Caiu de forma tão suave e discreta que mal foi notado pelos demais futebolistas.

A discrição da queda, no entanto, contrastou com a gravidade do caso. Ao primeiro contato dos colegas já se percebeu que era bem sério o problema.

Sucedeu-se correria desesperadora contra o tempo. Ligação para o serviço público de emergência, que demorou tanto para atender a ligação, quanto, sobretudo, para chegar ao local.

Enquanto isso, os colegas jogadores, atônitos, revezavam-se em massagens cardíacas e outras manobras no desespero para tentar reavivar o colega.

Finalmente, os socorristas chegaram e pareceu coisa de cinema.

Máscara de oxigênio, tubos e até equipamento para choque foram imediatamente posicionados e utilizados.

Mais de meia hora de tentativa de trazer o pobre jogador à consciência. Só choques foram cinco, seis.

Tudo em vão.

Lá pelas tantas começaram a desmobilizar os equipamentos e, então, alguém perguntou se o levariam para o hospital.

A resposta colocou um ponto final nas esperanças: “Não levaremos. Já tentamos revivê-lo por mais de meia hora.”

Naqueles minutos terríveis que mediaram entre a queda e o óbito descobriu-se que a vítima morava sozinho aqui em Porto Velho com a esposa e que possuíam um bebê recém-nascido (de algumas poucas semanas de vida).

 

Esses detalhes íntimos trouxeram ainda mais comoção para o trágico acontecido.

O rapaz tinha cerca de 30 anos e, aparentemente, estava muito bem fisicamente. Mas, vai saber…

Logo depois chegou uma mulher que aparentava que desmaiaria, tamanho o seu desespero. Não era a viúva. Era uma colega, digo, amiga de trabalho.

Só podemos imaginar o desespero da viúva e dos parentes e amigos mais próximos diante de um tal ocorrido.

Nenhuma morte é boa, mas a absoluta surpresa acaba trazendo ainda mais drama para esse evento que poucos aceitam.

Como admitir que o marido/filho/pai/irmão/amigo, que saiu para divertir-se de forma tão inofensiva (jogar bola!), acabou de perder a vida?

Talvez tivessem combinado um almoço para depois do futebol; um cinema à tarde; um churrasco no domingo. Talvez, talvez, talvez!!!!!

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A morte põe um ponto final em tudo…

A morte faz tudo parecer pequeno.

Difícil, demasiadamente difícil encontrar palavras de conforto nessa hora tão extrema.

Talvez porque fiquemos com aquela sensação – que é verdadeira – de que jamais, nessa vida terrena, reencontraremos a pessoa falecida, jamais conversaremos de novo com ela, cause-nos esse vazio tão grande.

Talvez por isso seja tão difícil perder as pessoas, sobretudo as mais próximas, as que mais amamos e valorizamos.

A vida é assim mesmo. Não nos resta outra a não ser nos resignar.

A morte é a coisa mais certa e inevitável que existe. Quando nascemos, única coisa que é certa, que vai ocorrer mesmo, é a morte; mas, nada obstante, relutamos tanto em aceitá-la. Tudo o mais pode ser evitado ou moldado; a morte, não.

Quanto mais virtuosa a vida, mais festejada há que ser a morte, porque, em última análise, significa o caminho para a vida eterna, o descanso no paraíso, no céu.

A morte é só o começo para uma vida melhor, para a verdadeira vida.

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O subtítulo ou mesmo o próprio título desse riscado deveria ser APROVEITEMOS A VIDA ENQUANTO PODEMOS – porque é disso que se trata. Aproveitar a vida na sua beleza, na sua inteireza, na sua maravilhosa sucessão de fatos extraordinários.

Um dia todos nós faremos nossa passagem. Pode ser ano que vem, na próxima semana ou mesmo hoje.

Essa circunstância absoluta, que todos desconhecemos quando acontecerá, já bastaria para, por si só, tornar essa aventura – viver – absolutamente extraordinária.

Viver é, disparado, a melhor e maior graça que nos é dada enquanto seres humanos. Nada pode ser mais divertido, emocionante, enriquecedor.

A coisa mais bela da vida é a vida em si mesma.

O ser humano precisa de muito pouco para ser feliz; menos ainda para viver...

Pensemos nisso. Amemos a vida – exatamente como ela é.

No entanto, nossa vida é um sopro! Num piscar de olhos podemos deixar de existir!!!!

Assim, o caminho mais natural é viver cada momento como se fosse o primeiro, o último, o único! Aproveitar cada instante neste mundo maravilhoso, singular e absolutamente inigualável no universo até agora conhecido.

Dia desses uma criativa postagem em uma rede social dava total razão a estas linhas: PREVISÃO DO TEMPO: ELE ESTÁ PASSANDO. APROVEITE!

Cada momento passado é uma oportunidade perdida se não aproveitada como poderia ter sido!

A hora de amar e viver é hoje, agora!

A correria insana que se tornou nosso dia a dia, sobretudo depois da explosão da Internet e dos smartphones, distancia-nos cada vez mais das pessoas que amamos. Estamos próximos fisicamente, mas longe, bem distante em termos de intimidade, de comprometimento, de relacionamento.

Bem disse Marcelo Alves Dias de Souza, do Ministério Público Federal, NÃO É A MORTE QUE NOS SEPARA, NÃO. É A VIDA!

Não precisamos esperar a morte de nossos entes queridos para devotar nossas vidas a eles. “É na saudade que se dá valor. Mas, só vamos aprender vivendo!”, a canção sentenciou… No entanto, por que não aprender de uma vez, a partir da experiência de tantos que já se foram e de outros tantos que já sofreram por isso?

Preocupamo-nos demais com questões pequenas; esquecendo da essência das coisas. Para ficar num só exemplo, quantos casais, quantas famílias, quantos amigos viajam juntos e, em vez de desfrutar desse momento especial, acabam se perdendo diante do primeiro contratempo que aparece?

Aliás, se fosse para listar o mundaréu de pequeninas coisas que tanto nos afligem o coração e que nos impedem de aproveitar tudo que a vida tem para oferecer, esse escrito não teria fim.

Então, fiquemos por aqui. APROVEITEMOS A VIDA ENQUANTO PODEMOS!